Escuta Autoritária: Não Pratique Essa Ideia. Aprenda a saber ouvir!

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Todo curso de comunicação começa com uma máxima: saber ouvir! Mas, o que  isso realmente significa?

Muito provavelmente você já deve ter conhecido pessoas que são altamente “umbigocêntricas” e não praticam, de modo algum, o exercício de saber ouvir o outro. Ou seja, pessoas que geralmente se consideram como um “molde” de perfeição da sua área, seja ela intelectual ou empresarial.

Na maioria dos casos, um indivíduo “umbigocêntrico” é intolerante e duro com o outro, além de usar, constantemente, um tom de discurso autoritário e explícito.

Ele não se move de seu lugar de fala, não se abre a atravessamentos e nem a construções de opiniões alheias. E pior, ele rejeita a discordância e se protege acusando o seu interlocutor.

Mais do que isso, esse indivíduo é a pessoa que não está disposta a nada além de seus monólogos e seus momentos de estrelato. Ela não está disposta a saber ouvir qualquer voz que não seja a sua própria.

Um típico praticante da Escuta Autoritária!

Agora, fala sério, você já conheceu alguém assim? Tenho certeza de que sim. Essa pessoa poucas vezes ou nenhuma vez entendeu sobre a importância em saber ouvir! Que infelicidade!

Eu realmente acredito que o motivo para tantas pessoas assumirem essa postura é que existe uma confusão entre os conceitos de “inflexibilidade” e de “pulso firme“. Sabe o porquê?

Porque há profissionais que acreditam que manter-se em constante “defesa” – recusando-se, eventualmente, a rever suas posturas – faz com que eles mostrem uma posição profissional mais sólida.

Mas você concorda comigo que firmeza em demasia pode ser inflexibilidade? Pois é! Então, desse modo, esses profissionais não estão, de forma alguma, mostrando-se com uma postura profissional resistente, mas sim autoritária!

Diante disso, o discurso do profissional é agressivo e nada produtivo para sua imagem (nem para a empresa em que trabalha) e tudo isso em nome do “estar certo”. Essas pessoas – as que querem sempre estar certas – são aquelas que não conseguem, de forma alguma, praticar o exercício de saber ouvir o outro.

Por isso, é com muita convicção que revelo que para que haja uma excelente comunicação é necessário que os profissionais cultivem a capacidade de desconstruir a fala do outro e a sua própria fala por meio da escuta. Pois, a partir do momento que há o entendimento sobre a importância em saber ouvir, uma excelente comunicação será desenvolvida.

 

Desconstrução” é um conceito que conheci por intermédio da leitura do filósofo argelino Jacques Derrida, que diz que desconstruir é um processo de pensar fora de seu lugar de conforto, permitindo que a sua mente esteja aberta e sem assumir verdades absolutas.

Além disso, ele evidencia que todo pensamento que se diz “absoluto” e “indiscutível” é violento e não tem espaço na comunicação engrandecedora. Ou seja, verdades absolutas, posições irremovíveis devem ser desconstruídas.

Mas como desconstruir aquilo que consideramos “verdades”?  

Por meio de um processo de saber ouvir. Mas, quando digo “saber ouvir”, me refiro ao “ouvir de verdade” e não praticar o que eu chamo de “escuta autoritária”.

Algumas pessoas só conseguem ouvir autoritariamente, sabia?

Você deve estar se perguntando como uma escuta pode ser autoritária, não é mesmo?

E eu vou te explicar! Esse tipo de escuta tem tudo a ver com postura e não com o processo físico de ouvir. Você pode ouvir uma pessoa falar durante horas, mas não escutar nada do que ela disse, pois já estava pensando em retrucar. Entre outras pequenas posturas insensíveis, esse é um dos principais exemplos da “escuta autoritária”.

Mas, atenção! Praticar a “escuta autoritária” é muito fácil e, para ajudar você a NUNCA cair nessa prática (ou a perceber quando alguém faz isso com você, claro), vou apontar 4 características básicas dessa prática para você se policiar:

1. Busca por falhas

Escutar na busca do erro no discurso do outro, procurando o que é preciso reclamar, o que é preciso problematizar, o que está fora do lugar. Não há preocupação em entender, mas em buscar um ataque.

2. Desqualificação prévia

É o desprezo antes da fala: “Vai, fala, não deve sair nada bom mesmo, mas não custa deixar falar. Fala aí!”.

3. Escuta temporal

Escutar não para absorver conhecimento, mas apenas para esperar “nossa vez” de falar, de fazer algum comentário genial e de “vencer a discussão”.

4. Negação da subjetividade

É a desqualificação pela natureza do indivíduo e pela sua diferença: “É moleque, não sabe de nada…”.

Essas são as 4 características da “escuta autoritária” que impedem que você tenha uma interação significativa e proveitosa com o seu interlocutor, o que, por sua vez, impede que ele confie em você.

Ao praticar uma postura de escuta autoritária, você diz para o mundo “Eu não preciso saber ouvir o outro”, “Eu sou insensível”, “Eu não quero escutar você”, “Eu não me importo com o que você diz” etc.

Afinal, o insensível, o narcisista, só quer ouvir uma coisa mesmo: “Você está certo”. E falar isso por falar não traz NENHUM benefício a longo prazo para nenhuma das partes envolvidas no diálogo!

Então, nade contra a corrente. Mostre que você não está aqui só para estar certo, e sim para fazer a diferença para o seu cliente!

Tenha uma comunicação poderosa! Aprenda a saber ouvir! Consiga o “SIM” dos seus interlocutores! Construa sua autoridade e credibilidade!

E por último, mas não menos importante, use os “4 Princípios da Escuta Autoritária” como um guia do que NÃO fazer. Tenho certeza de que suas interações e seus resultados serão alavancadas!

 

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